Rota do café no Sul de MG apresenta os segredos dos grãos especiais e premiados

Roteiro leva visitantes a conhecer a história das fazendas da região de São Lourenço e Carmo de Minas.

Tocar na planta do café, em cada grão, andar pela lavoura e ao final sentir a diferença de um café especial. A experiência para o visual e o paladar criada por um grupo no Sul de Minas Gerais veio para tecer o romance por trás de uma xícara de café. É na Rota do Café Especial, que passa por fazendas de São Lourenço, Carmo de Minas e região, onde turistas, principalmente do exterior, têm uma experiência muitas vezes inédita.

“A maioria nunca viu um pé de café na vida”

A frase surpreendente é dita por Gabriel Guimarães, barista que costuma acompanhar os turistas nos passeios. O local escolhido não foi por acaso. As fazendas que fazem parte do roteiro estão entre as mais premiadas dos concursos de café especial promovidos pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Um dos concursos, o Cup of Excellence, deu a maior nota do mundo para um café produzido no local – 95,85, o recorde mundial de complexidade em bebida. Desde 2005, não houve ninguém que superasse a nota.

É possível ver a lavoura campeã preservada há mais de 100 anos do alto de um mirante, um dos pontos de parada do roteiro. Em cada uma das paradas, os guias contam sobre como a região conhecida como Mantiqueira de Minas se tornou uma das principais referências do café especial. Cada detalhe histórico é acompanhado por vistas que impressionam.

Um dos pontos altos do passeio é a visita à sede da Fazenda Sertão. No local, cada cômodo deu espaço a um acervo familiar que conta a história do grão. Fotos de família, artigos e objetos antigos, máquinas usadas em outros tempos… detalhes que formam um quebra-cabeça da história do café especial.

Artigos antigos ficam na sede da Fazenda Sertão no Sul de MG (Foto: Divulgação/Rota do Café)

Artigos antigos ficam na sede da Fazenda Sertão no Sul de MG (Foto: Divulgação/Rota do Café)

“Tudo isso é para trazer o lado romântico do café. Depois de tudo que eles viram, eles vão entender a diferença do que é um café especial e o que é um café comum que a gente compra no mercado”, explica Gabriel.

Depois de mostrar direto da xícara as diferenças de um grão que recebe todo o cuidado do plantio à colheita, a experiência ganha os parceiros fiéis do café em Minas Gerais: pão de queijo, broa de fubá e queijo. Tudo feito pelas mãos da dona Cidinha, funcionária da fazenda há 30 anos.

“Essa preocupação em manter as pessoas que acompanharam todo este processo de perto é para dar ainda mais valor a este lugar. Cada um aqui foi ensinado, o café especial teve um passo-a-passo que foi acompanhado por muita gente”.

A surpresa no contato

Pelo lugar, já passaram turistas de várias partes do mundo. Vieram visitas de países como França, Estados Unidos, Austrália, Noruega e Japão. “O produto de algumas dessas fazendas já é exportado para mais de 40 países e os compradores têm esse hábito de visitar o produtor pelo menos uma vez por ano”.

E são dessas visitas que surgem os relatos surpreendentes, como o do primeiro contato com um pé de café. “Já recebi aqui um barista de uma franquia mundial de café em Londres que trabalha com a bebida todos os dias e disse que veio com esse objetivo – ver uma árvore de café”. Nunca ter visto a planta é uma reação mais comum do que se imagina e a surpresa é repetida por centenas de pessoas.

É da época das colheitas que os guias colecionam os melhores relatos. “Quando é época de lavoura, as pessoas ficam maravilhadas com a fruta do café. Porque, para muita gente, não cai na ficha de que o café é uma fruta, que é doce. Ver o olhar maravilhado das pessoas é uma experiência impressionante”.

O público que mais busca o roteiro é o de turistas com idades que geralmente variam de 18 a 50 anos. Mas também há idades diferentes, como uma senhora de 80 anos que encantou a equipe ao deixar sua opinião final sobre o passeio.

“Posso afirmar uma coisa aqui pra vocês. Com os meus 80 anos, hoje foi o primeiro dia que eu tomei café de verdade na minha vida”.

A lavoura vista do balão

A Rota do café para turistas é o roteiro mais procurado na região. Mas o grupo também faz passeios específicos, como o pedagógico e o técnico para especialistas. O mais diferente de todos é o roteiro feito do alto de um balão.

“Um especialista acompanha o grupo e explica sobre cada um dos lugares. O visual por si só já é uma atração. Da fazenda, o balão já pega os ventos certos que levam os turistas aos lugares mais distantes”, explica Gabriel.

Como participar

Os passeios estão disponíveis e precisam ser programados para grupos ou com preços individuais, que vão de R$50 a R$1,2 mil. É possível programar as datas e também há saídas garantidas de quinta aos sábados e feriados às 9h. É preciso fazer a reserva até 12 horas antes do início.

As reservas podem ser feitas no site oficial da Rota do Café.

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