Sul de MG apresenta melhora na geração de empregos na indústria e na construção civil no 1º semestre

Embora colheita do café seja responsável por 80% da geração de empregos do 1º semestre, demais setores também apresentaram melhora.

s números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, divulgados na semana passada, mostram que a geração de empregos no Sul de Minas no 1º semestre deste ano foi maior em relação ao mesmo período do ano passado. Embora a colheita do café tenha influenciado fortemente na geração – cerca de 80% das vagas criadas foram na agropecuária – os demais setores da economia também apresentaram uma melhora, mesmo que tímida.

É o caso, por exemplo, da construção civil. De janeiro a junho de 2016, o setor fechou 242 vagas na somatória das 10 maiores cidades do Sul de Minas. Já de janeiro a junho deste ano, o setor apresentou uma geração positiva de 319 vagas, uma alta de 231%. Varginha é o município que apresentou melhor desempenho, gerando 114 vagas, enquanto Poços de Caldas fechou 345 postos no setor neste período

“Não só envolve o próprio trabalhador que trabalha na construção civil, mas todos os setores que estão na construção civil, como material, que envolve outras fábricas, eletricidade, fios elétrico, plantas que os engenheiros fazem. É um setor muito importante para a geração de empregos”, disse o economista Linneu Pedroso ao Jornal da EPTV 1ª Edição, no dia 19 de julho.

Construção civil apresentou melhora na geração de empregos nos 6 primeiros meses do ano (Foto: Reprodução EPTV)

Construção civil apresentou melhora na geração de empregos nos 6 primeiros meses do ano (Foto: Reprodução EPTV)

 

A indústria também apresenta boa recuperação no comparativo deste ano com 2016. Enquanto de janeiro a junho do ano passado as maiores cidades do Sul de Minas fechavam 105 postos no setor, no mesmo período deste ano, as cidades-polo da região criavam 133 vagas na indústria, alta de 226%. Três Pontas e São Sebastião do Paraíso lideram a geração de postos de trabalho no setor no ano, com 213 vagas cada uma.

Geração de empregos – setores economia

Setores Até junho de 2016 Até junho de 2017 Variação
Extrativa Mineral -3 -2 33,33%
Indústria Transformação -105 133 226,67%
Serv. Inds. Utilid. Pública 3 16 433,33%
Construção Civil -242 319 231,82%
Comércio -1358 -819 39,69%
Serviços 1118 1642 46,87%
Adm. Pública 93 -3 -103,23%
Agropecuária 5686 5228 -8,05%
Total 5192 6514 25,46%

“Em regra, em anos anteriores, os serviços eram as primeiras áreas que sofriam o primeiro impacto quando a economia entrava em crise, e pelo que a gente está percebendo, o serviço está puxando, está mantendo e puxando outras áreas, inverteu essa lógica. Geralmente quando a indústria entra em crise, o comércio, a construção civil, a tendência é que o serviço caia, mas a gente está percebendo que o setor está se mantendo, é um detalhe interessante em relação aos anos anteriores”, disse o gerente do Ministério do Trabalho.

Números do Caged mostram que demissões vêm perdendo força no comércio (Foto: Reprodução EPTV)

Números do Caged mostram que demissões vêm perdendo força no comércio (Foto: Reprodução EPTV)

Já Poços de Caldas apresentou geração negativa de 136 vagas no 1º semestre de 2017 em serviços. O município também é vilão em geração de empregos quando o assunto é comércio. A cidade fechou 259 vagas no setor nos primeiros 6 meses do ano, o maior número negativo.

Mas os números também mostram que o desempenho do comércio é ruim em oito das 10 maiores cidades da região. Apenas Três Pontas e Passos conseguiram geração positiva nesse quesito e mesmo assim, pouco significativa: +50 e +9 respectivamente.

Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Poços de Caldas, Márcio Roberto de Oliveira, a entidade acompanha com muita apreensão esses números negativos. Segundo ele, são muitas lojas fechadas e esse número surpreende a cada dia. Na visão do presidente, algumas ações precisam ser tomadas para que a retomada do emprego possa acontecer nesses setores.

“A associação tem passado à SEDET, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, suas posiçoes sobre o assunto e vê muito esforço por parte do secretário neste sentido. A nivel municipal, os maiores impecilhos são a falta de atualização do plano diretor, a burocracia para se abrir novas empresas, a concorrência desleal com ambulantes e a dificuldade de se atender aos órgãos de fiscalização que às vezes existem nos dois níveis (municipal e estadual) com o Procon e a Anvisa”, disse o presidente.

Colheita do café impulsiona geração de empregos na agropecuária, mas número é sazonal (Foto: Reprodução EPTV)

Colheita do café impulsiona geração de empregos na agropecuária, mas número é sazonal (Foto: Reprodução EPTV)

Sazonalidade do café ainda é destaque

Embora a agropecuária tenha sido responsável por 80% das vagas geradas no 1º semestre de 2017 nas maiores cidades do Sul de Minas, o setor não reflete a real situação da geração de empregos na região. Isso porque ele é sazonal e a contratação se acentua entre os meses de maio e outubro, quando acontece a colheita do café, principal produto agropecuário do Sul de Minas.

Por causa da colheita, municípios como Alfenas e Três Pontas, apresentaram a melhor geração de empregos do 1º semestre entre as 10 maiores cidades da região: 1.758 vagas e 1.183 respectivamente. Se a agropecuária não for levada em consideração, o município com melhor geração nos primeiros 6 meses é Pouso Alegre: +618, puxado pelo bom desempenho de serviços (+538).

“Por causa da cultura do café, são cerca de seis meses que geram esses empregos e depois que passa esse período, esses trabalhadores são demitidos. Depois começa aos poucos, no começo do ano seguinte, começa o novo período de contratação”, explica Vitório.

Segundo o gerente do Ministério do Trabalho, o número de trabalhadores na colheita do café pode ser ainda maior na região, já que o índice de informalidade ainda é muito alto.

“A agropecuária desenvolveu um número bom de vagas. Mesmo assim, esses números estão subestimados. Ainda existe muita gente trabalhando na área rural, que ainda não estão computados. Essa informalidade estaria na casa de 62% na área rural, enquanto na área urbana, essa informalidade seria de 31%. Eu creio que esses números caíram nos últimos anos. Mesmo assim, a gente tem aí mais gente trabalhando sem registro”, disse o gerente do Ministério do Trabalho.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s