Terra do queijo artesanal, Alagoa atrai turistas pela natureza e tradição da Serra da Mantiqueira

Pequena cidade no Sul de Minas tem cachoeiras, paisagem europeia e tranquilidade do interior, além de boa comida mineira.

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Enquanto o tempo frio afasta os turistas das praias, as montanhas do Sul de Minas são destino certo pra quem gosta de uma paisagem meio europeia. Bem no alto de uma das principais delas, a Serra da Mantiqueira, a pequena cidade Alagoa (MG) é uma opção pra quem procura tranquilidade, natureza e a boa gastronomia mineira.

A cidade faz parte do circuito turístico das Terras Altas da Mantiqueira e da Região do Caminho Velho da Estrada Real. Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região começou a ser povoada por volta do ano 1730 com a extração de ouro em Minas Gerais. O nome Alagoa tem origem na existência de uma grande lagoa onde hoje é a cidade, que foi esvaziada pelos bandeirantes para exploração de ouro e pedras preciosas.

Estar em Alagoa é quase uma viagem no tempo. A pequena cidade, com apenas cerca de 2,7 mil habitantes, preserva as características dos tradicionais municípios do interior de Minas Gerais. A principal fonte de renda dos moradores é a agropecuária, portanto é possível ouvir o barulho da natureza mesmo estando hospedado no Centro da cidade.
Alagoa ainda está a 1,1 mil metros de altitude, o que faz com que a vista da Serra da Mantiqueira seja de tirar o fôlego. Mas um dos principais atrativos do município está na mesa da cozinha. A cidade é reconhecida por produzir o queijo artesanal de Alagoa, um tipo de parmesão com tradição de mais de 100 anos na cidade. Recentemente, uma loja aberta na cidade vende o queijo e outros produtos produzidos na região.

Pra quem gosta de aproveitar um friozinho, Alagoa é um “prato cheio” no inverno. Pela altitude e localização na Mantiqueira, as temperaturas descem bastante no município entre os meses de maio até julho alcançando graus negativos. A geada na zona rural se torna comum nos dias mais gelados. Já no calor, a cidade tem dias quentes de verão que colaboram para passeios nas cachoeiras do município.

As belezas da serra

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A cidade está inserida na Área de Preservação Ambiental Federal Serra da Mantiqueira e no Parque Estadual da Serra do Papagaio, portanto a paisagem é composta pelas araucárias típicas da região, pequenas propriedades rurais e atrativos naturais.
Para quem gosta de se aventurar em trilhas, o caminho que leva ao ponto mais alto do município é uma opção interessante. O Pico do Santo Agostinho, ou Pico do Garrafão, tem pouco mais de 2,3 mil metros de altitude, e segundo o IBGE, é a 29ª montanha mais alta do Brasil. Para fazer o percurso a pé, são 13,6 km da cidade até o pico. Lá de cima, é possível ter uma vista de 360 graus do horizonte, vislumbrando todo o complexo da Mantiqueira.

Outros pontos que ficam no entorno do município é o Pico da Mitra do Bispo, entre Alagoa e Bocaina de Minas (MG), com cerca de 2,1 mil metros de altitude, e a Serra do Condado. Nesta última, com cerca de 1,8 mil metros de altitude, há uma rampa para saltos de paraglider e asa-delta a cerca de 15 km da cidade.

Já quem quiser aproveitar as águas da Mantiqueira, há várias opções de cachoeiras no município. Uma das mais populares é a Cachoeira do Zé Pena, que fica a cerca de 6 km do Centro da cidade. Há piscinas naturais e um “escorregador” natural no local. Outra opção bem próxima da cidade são as Corredeiras do Itaoca, em que é possível praticar “bóiacross”. O local fica a cerca de 5 km da cidade.

O queijo alagoense

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Mas o maior “tesouro” alagoense pode ser encontrado fartamente nas cozinhas de Alagoa. A cidade é conhecida por produzir o centenário queijo artesanal de Alagoa, uma espécie de parmesão único que não pode ser produzido em outro lugar.
A origem da produção está em imigrantes italianos que foram morar na cidade. A região seria parecida com a da Itália onde é produzido o parmesão de Parma, e consequentemente, a produção foi possível em versão alagoense. O terroir da cidade, que soma a altura da serra, o silo que a vaca come – que consequentemente interfere no sabor do leite, a temperatura, a água da mina, tudo influencia no sabor único do queijo artesanal de Alagoa.

A cultura do queijo também se mistura à cultura da cidade. Esse era um dos alimentos que os tropeiros de antigamente transportavam para vender fora da cidade. Muitos produtores rurais tradicionais ainda conservam o modo artesanal de fazer o queijo de Alagoa, que foi certificado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA).

O produto, que é vendido em diversos tamanhos e estágios de maturação, pode ser adquirido pela internet, mas recentemente, uma loja aberta no Centro da cidade também vende o queijo. Outros produtos da região também podem ser adquiridos no local, como azeite extra-virgem, broas, biscoitos de polvilho e farinha de moinho. A loja fica na Rua José Luiz de Siqueira, 352, e só abre nos fins de semana, das 10h às 18h no sábado e das 10h às 13h no domingo.

Religiosidade e história

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Quem gosta de misturar turismo e história, pode explorar a rota antiga de extração de ouro no município. Um dos pontos a ser visitado é o bairro do Garrafão, que segundo informações da prefeitura, tem esse nome pela lenda de que um garrafão de ouro foi enterrado dentro da antiga lagoa da cidade. O garrafão nunca foi encontrado, mas é possível visitar o Túnel do Garrafão, escavado na rocha por escravos, no século XVII, com aproximadamente 500 metros de extensão.

Quem gosta de uma boa prosa mineira, também pode conversar com alguns moradores antigos da cidade que trabalharam como tropeiros. Antes que a estrada que liga Alagoa a Itamonte fosse aberta, a atividade era um dos meios de transporte de mercadorias mais usados no município.

Os católicos podem visitar em Alagoa a primeira igreja de Nhá Chica, beata da cidade vizinha Baependi (MG). O templo foi erguido por um morador de Alagoa em 1961 após ele ter sido curado de um câncer por intercessão de Nhá Chica. Todos os anos, em junho, uma festa também é realizada na cidade celebrando o nascimento da beata.

A cidade também faz parte do Caminho dos Anjos, percurso de peregrinação com 231 km de extensão que passa por sete cidades do Sul de Minas: Passa Quatro, Itamonte, Alagoa, Aiuruoca, Baependi, Caxambu e São Lourenço.

Hospedagem e alimentação

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A cidade tem duas pousadas e uma hospedaria no Centro da cidade, as outras opções ficam na zona rural. Na cidade, as pousadas oferecem estrutura completa e simples com preços que variam de cerca de R$ 40 a R$ 75 a diária.

Na zona rural, há cinco pousadas no município de Alagoa. As hospedagens oferecem alguns atrativos como pensão completa, piscinas naturais, áreas para camping, chalés e comida mineira. As diárias variam de R$ 75 a R$ 250. O blog de turismo da cidade tem informações de hospedagem.

Alagoa não dispõe de muitos restaurantes, mas há opções para quem gosta da comida mineira caseira. A maioria está localizada na área central da cidade e os preços são bem acessíveis.

Como chegar

De Belo Horizonte (MG), o trajeto mais curto é pela BR-040 e BR-267, somando cerca de 430 km. Quem preferir também pode seguir pela Rodovia Fernão Dias e BR-267, fazendo o caminho por Aiuruoca (MG), por cerca de 450 km.

De São Paulo (SP), o principal caminho é pela BR-116, somando 307 km até Alagoa. Quem quiser sair pela Rodovia Governador Carvalho Pinto e pegar a BR-116, o trajeto aumenta 10 km, somando 317 km.

Do Rio de Janeiro (RJ), capital mais próxima da cidade, o caminho é feito pela BR-116 somando 274 km.

Quem entra na cidade pela estrada de Itamonte (MG), a LMG-881, a rodovia já é asfaltada, mas um trecho inacabado da estrada, de cerca de 6 km, segue sem asfalto. Em dias de chuva, veículos sem tração adequada podem ter dificuldades para subir a serra. Quem segue para Alagoa por Aiuruoca pega estrada de terra até lá, que apesar das boas condições, também pode ser difícil em época de chuvas.

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